quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Escolhas


Olá e adeus...




Todas as palavras que pensei, um dia, dizer-te me parecem agora poucas. Todas as frases, que ensaiei durante meses, agora já não me fazem sentido. O sentimento de ontem, tem hoje uma intensidade diferente, e por tudo isso, o que tinha pensado dizer-te hoje, depois do nosso primeiro abraço, deixou de estar actualizado. 

Tinha pensado dizer-te que te amava. Só que dizer-te que te amo era pouco, e agora já nada adianta. Essa era uma frase de ontem, a que hoje nada tenho para acrescentar. Era uma frase para te surpreender, e afinal, fui eu que me surpreendi. São assim os sentimentos. Eles, de repente, superam-se. Uns minutos a mais e parecer que o amor desaparece. É como viver um novo capítulo da nossa história que a vida está constantemente  escrever por nós.

Acabei de abraçar! Finalmente chegou a nossa hora. E agora, o abraço que há tanto tempo estava prometido, nada mais é do que um passado esquecido.

Finalmente o nosso primeiro abraço. Esperei tanto tempo por ele, que agora, que me vesti com os teus braços, refrescando-me com o calor da paixão que me ardia no corpo, descobri que o que nos une é apenas o frio da ausência.

Vesti-me com o teu abraço e desenhei-te um beijo eterno nos lábios, para que não restem dúvidas de que a tua boca um dia chegou a ser minha, por mais que saiba que este foi o primeiro e o último beijo das nossas vidas.

Fiquei tua, por breves segundos e sozinha para a eternidade.  Tive nos braços a liberdade de sentir o amor a percorrer todo o corpo, para de seguida sentir na pele a chuva fria de uma despedida.

Senti-te meu, na proximidade desse sentimento, que durante meses a fio me prometeste. Fomos vidas perpendiculares, que finalmente se cruzaram, para logo de seguida escolherem rumos diferentes. Estiveste a meu lado e senti-te dentro de mim. Contigo encontrei a paz e o desassossego.

Assim são, por vezes, os amores, chegam sem vontade de ficar. Fazem-nos correr para ponte da ilusão, fazem-nos acreditar que vamos directos para a sala das realidades, e depois mostram-nos a porta de saída. Agora que toquei o amor, agora que lhe sentir o sabor e que me vestir com as suas cores, posso dizer que sei o que dói amar sozinha e acordar, sem vontade, para a triste realidade de não te sido amada. 

Chegaste e o pedido era para que não partisses, mas tu, sem uma única palavra disseste um adeus que me deixou o coração a sangrar.

Todas as palavras que fui guardando para ti, não são agora necessárias. Para quê dizer-te tudo o que sinto, se o teu coração não me quer escutar.  Afinal são apenas frases de ilusão, que nunca se irão  tornar em doces realidades.

@angela caboz

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Sobrevivi!


Sonhei-te




Senti-te no meu sonho. Como se estivesses ali comigo. Como se fossem teus os braços que me envolviam. Como se fossem teus os lábios que me beijavam. Tudo me parecia tão real, mas a verdade é que era apenas um sonho. Parecia que uma parte de mim que te pertencia e uma parte de ti que era minha. 
Olhava-te e via-te. Tocava-te e sentia-te. Ouvia a música do amor, aquela que poderia ser a nossa música. Dançávamos ali agarradinhos. Sentindo o ritmo dos nossos corpos, ao som daquela sinfonia de que tanto gostávamos. 
Fazia frio e os nossos corpos aqueciam-se na intensidade da sua paixão. Fazia frio e lareira estava acesa, havia dois copos de vinho esquecidos sobre a mesa. 
Oferecias-me uma flor. Passavas-me a mão pelo rosto e ias deslizando os teus lábios, até eles encontrarem os meus. A seguir perdias-te numa viagem pela minha pele, que se arrepiava com o calor da nossa paixão. O jogo começava e os nossos corpos cediam ao desejo que neles existia; o frio desaparecia e era o calor que nos incendiava o desejo.
Tudo parecia tão real, que eu confundia o sonho com a vida. Não entendia que um sonho não é um amor real. Naquele instante, eu apenas sonhava com uma paixão que me parecia verdadeira. Era o meu coração a desenhar futuros. Era a loucura da paixão a semear desejos no meu corpo. 
E sonhei-te meu, sem que nunca me tenhas pertencido. Sonhei-te meu sem que alguma vez te tivesse tocado. Tudo era apenas um sonho, uma realidade que não existia, um sonho que estava fora do nosso alcance. 
Tu nunca te tinhas cruzado comigo. Tu eras a ilusão que me vestia, nas noites frias de Inverno, e a fantasia que me refrescava nas tardes quentes de Verão. 
Sonhei-te devagar, com receio que o sonho acabasse!  
Batias na porta da minha vida e pediste para entrar. Espreitavas para o que restava de mim. Oferecias a tua ajuda a um coração sofrido, dividindo amor com este coração que estava carente. Abraçavas esta alma desconsolada, e recebias de volta tudo o que faltava, ficavas gordo de carinho e atenções. Alimentavas o nosso amor, que te obrigava a esquecer tudo o que há muito não querias recordar.
Sonhei-te e trouxe-te contigo para encontrar no sonho vontade de viver. Imaginei-te com sorrisos para dar e vender. Eras o príncipe que acordava uma Alma que andava adormecida. 
Sonhei-te e o sonho parecia tão real que ouvia o ruído do teu sorriso que me fez descobrir a magia de me sentir viva.  
Só que, de repente, o sonho terminou e agora o que faço com esta ilusão que despertou nos meus braços. Como volto a viver em silêncio, escondida na muralha da solidão. 
Sonhei-te e estive tão perto de tocar a realidade. Agora não queria acordar, porque nos sonhos existe sempre espaço para nós dois e aqui, na vida real, eu tenho um mundo gigante onde vivo sozinha.

@angela caboz


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eu tinha um amor



Eu tinha um amor, mas sentia que não era de ninguém!
Eu tinha um amor, mas era um amor já sem calor. Uma paixão que vivia no Inverno da sua existência. Um amor preso apenas por uma linha invisível, que já nem eu conseguia ver. Um fio tão frágil que qualquer sopro seria capaz de o quebrar.
Mas, eu também nada fazia para que a minha vida fosse de outra maneira!
Escondia o coração nas profundezas da alma e ordenava-lhe que não tivesse sentimentos. Proibia-o de se sentir apaixonado. Os meus olhos tinham que ficar cegos ao amor, ignorar todos os gritos do coração.
Vivia de alma nua, num corpo demente, acompanhada de uma mente sem sonhos e tantas vezes imaginei que esse seria o meu destino.
Mas, agora havia uma voz que gritava pelo meu nome, uma voz que os meus ouvidos escutam e que o meu coração sente.
Agora eu sou tua sem saber, de um modo que nunca imaginei querer. Sinto-me tua como nunca sonhei ser de alguém. E sentindo tua também te sinto meu, sinto-me outra. Há outra verdade em mim, uma alma colorida, um corpo feliz e uma mente apaixonada.
Eu tinha um amor e não era de ninguém, agora há um amor que me pertence e eu pertenço a alguém.

@angela caboz 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Anjo da guarda





Ela chorava sentada, no seu passado. Lamentava a sua sina. Dizia-se esquecida pela vida!
Ele aproximou-se, pé ante pé e abraçou-a, sem nada lhe dizer.
Surpreendida, virou-se e apenas lhe viu o sorriso.
- Quem és tu?
- O teu anjo da guarda, aquele que nunca te abandona.
Pensativa, ela parou de chorar e perguntou-lhe:
- Em por que razão é que os meus sonhos não se realizam. Diz-me porque é que tudo foge de mim.
Ele segura-lhe a mão, onde um pássaro tinha pousado e diz-lhe:
- Sabes nem sempre a vida é do jeito que nós sonhamos. Nem tudo acontece como nós desejamos.
- Mas tu, disseste-me que me protegias sempre!
- E protejo, nunca duvides disso! O que não acontece como tu sonhas é porque a vida tem outros planos para ti. Ela tem algo melhor para te oferecer.
- Então porque me faz chorar. Porque me faz sofrer?
- Porque ainda não chegou a hora. Tudo na vida acontece na hora certa. Tens que fazer todo esse percurso para chegares onde a vida quer que tu chegues. Ela sabe o que faz. Nós nem sempre sabemos o que sonhamos.
Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos. Sentiu de novo a força daquele abraço e por intuição olhou para trás e ele já lá não estava. Apenas sentia a sua paz que a fez sorrir com o mesmo sorriso que ele trazia quando ali chegou. Ele tinha ido e tinha-lhe deixado a paz e o amor com que sempre a protegia.
@angela caboz

domingo, 9 de dezembro de 2018

Foste...




Foste o beijo perfeito que, na realidade, ainda não dei!
O beijo com que sempre sonhei, julgando que não seria mais do que uma ilusão, plantada por uma criança no jardim da vida. Foste o beijo que me despertou para a vida, fazendo daquela gaiata sonhadora uma mulher ousada; a mulher que provou o sabor do amor, ainda antes de te ter beijado.
Serás o amor certo, que chegou, enquanto distraída eu, procurava pelo meu passado nas ruas do futuro. Serás o amor que se fez presente, sem que eu tenha reparado na sua chegada.
O amor que me encontrou na esquina onde o meu medo sempre morou, e foi esse amor que afastou todos os fantasmas que me impediam de ver o sol que brilhava no outro lado do mundo.
Acaso que são certezas validadas pela vida, em momentos que nos encontramos sem nada procurar.
Foste uma realidade que me esperava na porta de um sonho que já não me pertencia. Um sonho que partilhamos, no instante em que o teu abraço me provou que a vida não dorme. Somos nós, que por vezes já cansados da batalha, deixamos de lutar e então a vida empurra-nos para o meio da arena onde a batalha continua à nossa espera.
@angela caboz