sexta-feira, 22 de março de 2019

O tempo não pára




Fiquei aqui sentada. A ver passar o tempo. Na tentativa de que o tempo afastasse esta dor. À espera que o tempo que há-de chegar trouxesse com ele os meus sorrisos que ficaram perdidos lá atrás no passado. Deixei o tempo passar pelas minhas recordações. Deixei-o passar ao lado de tantas emoções. Fiz-me de cega, para não ver e de surda, para não escutar o coração.
Sim, o tempo vinha do passado. Passava rapidamente por mim,caminhava a passos largos para o futuro. 
O tempo não pára. E nós não deixamos de viver. As dores curam-se com a distância dos momentos em que elas nos tocaram. Os sofrimentos afogam-se no mar das lágrimas que soltamos.
No entanto, há sempre aquele instante em que nos sentamos e ficamos a ver o filme do passado. A cena em que a dor cravou as suas garras sobre nós. O minuto que que a desilusão visitou a nossa alma,deixando a sua marca que perduraram no tempo. Esse momento em que irão passar ali, à nossa frente, todos os capítulos da história que vivemos. Os melhores e os piores. Os que nos lembramos e até aqueles que preferíamos esquecer. 
Foram todos esses segundos que hoje eu fiquei a ver, aqui sentada junto ao mar. Pedindo ao tempo para passar. Implorando-lhe para não levar estes sofrimentos para o futuro. 
Vinos momentos que me pareceram longos, todas as linhas de cada página da história, que um dia julguei que não teria fim. 
A história de uma vida que se cruzou com a minha e que afinal um dia terminou.Talvez antes do tempo. Ou,quem sabe,fora do tempo, que ela mesmo não definiu. 


É nesse degrau da escada da vida, que estou sentada. A olhar para trás e perguntar-me o que se passou. Porque razão o amor acabou. Havia tanto de mim em ti e e tu eras a outra metade de mim. Porque não quiseste continuar esta caminhada.

@angela caboz

sexta-feira, 15 de março de 2019


Sonhei-te




Ontem à noite encontrei o teu cheiro nos meus sonhos!
Escutei o teu coração a chamar pelo meu nome e a tua voz fez vibrar tudo em mim.
Ontem à noite estive contigo, naquele sonho em que procurávamos pelo nosso futuro.
Senti as tuas mãos a deslizarem sobre o meu rosto, enquanto escrevíamos a história de sentimentos que ainda não nos pertencem.
E de repente, o meu rosto sorriu e ao mesmo tempo no coração soou o eco da dor deixada por uma distância que nem sempre conseguimos controlar. 
Dói-me saber-nos abraçados aos sonhos, gritando no mesmo este silêncio que obrigada a viver à sombra de uma solidão. Dói-me escutar a melodia sofrida do teu coração que carrega o nosso amor. 
E quando o despertador tocou. Quando acordei do nosso sonho, senti o vento do mundo real e percebi que temos um amor mais forte do que o Hércules, mas ao mesmo tempo existe uma muralha invisível entre nós. Existe uma proximidade distante que me impede de te tocar, mas não me impede de sentir a intensidade de tudo o que estamos a sentir.
E este sonho maravilhoso volta todas as noites.
Chega e embrulha-me com o teu cheiro, espalha por ali a tentação de viajar entre a ilusão e a realidade.
Deixo-me ficar despida das tuas mãos, mas coberta pelo teu amor. E fico ali à espera do vento da saudade que chega sempre para me aquecer.

@angela caboz

domingo, 3 de março de 2019


Sinto-te



Sinto que a mão tua me toca, que o teu corpo se aproxima, que os teus lábios se colam aos meus num toque que começa leve, mas que sucumbe depois à voracidade da paixão que nos arde no corpo. E trocamos aquele beijo quente e profundo, do tamanho do desejo que ambos guardávamos nos nossos corpos. 
É um sonho tornado realidade, uma realidade maior do que o sonho que tínhamos sonhado.
Eu sempre tivera a curiosidade de saber o que era sentir as borboletas a dançarem no ventre, ao ritmo da música do desejo.
Agora, estava ali com o meu corpo entrelaçado no teu amor, estávamos de tal maneira colados um no outro que já nem sabíamos o que pertencia a cada um. Sentia-me com uma ave adormecida no seu ninho.
Pega é teu, o meu coração, é a tua a minha esperança de me encontrar com o teu sonho de criança.
Chegou a hora certa para o encontro entre a adolescente tímida e a mulher atrevida. É agora o momento exacto para que essas duas realidades se possam fundir. A adolescente dirá adeus a toda a timidez que sempre lhe limitou os sentimentos e a mulher atrevida terá a ousadia necessária para sonhar sonhos com futuro em que se permite viver tudo o que nunca sonhou.
No meu corpo começam a sentir-se humidades, mexem-se e remexem todos os nervos e músculos que até então viviam adormecidos ou oprimidos, as batidas cardíacas aumentam e os vasos sanguíneos dilatam, há sensações novas a cada segundo.

@angela caboz