segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Foste tu


Foste tu que me encontraste, por isso não é justo que me afastes. Foste tu, que escreveste a primeira frase desta nossa história. Foste tu, que me disseste "és tu miúda, quero-te sem saber desde quando". Trouxeste-me para esta que é uma realidade que temos para viver. Se a vida te atirou para o meu caminho, não é justo que tu queiras fugir dele. Tu que foste o primeiro a ver que este era o nosso destino.

Eu nem sei dizer-te quando foi que reparei em ti. Só posso dizer, que um dia acordei e tu já estavas aqui. Um dia olhei-te, olhos nos olhos, e já não éramos dois desconhecidos. Éramos sim, duas almas apaixonadas, vivendo uma história que só a elas lhes pertencia. Não sabia de onde tinhas aparecido, mas em ti tudo me fazia sentido. Fazias parte desta história que passamos a escrever em conjunto. Uma história que conta a evolução de um sentimento que já nos pertencia e que nós apenas viemos completar.

Depois de todo este trabalho que a vida fez sozinha. Sim, porque afinal foi ela que programou o nosso encontro. Foi ela que nos empurrou para este momento. Agora que as nossas histórias encaixaram na perfeição, tu chegas e dizes que nada disto faz sentido. Tu queres desistir de algo que nos pertencem e por que nem tivemos de lutar. Queres desistir de uma batalha, em que a vida já nos deu como vencedores.

Que sentido poderá ter a vida a partir daqui sem ti. Não posso acabar esta história sozinha. Seria sempre uma história incompleta. Ninguém escreve a história de um amor só com uma personagem. Não tenho como transcrever para este livro capítulos que te pertencem. Aqueles momentos que tens de ser tu a escrever. As páginas que contam os teus sentimentos e as tuas emoções por teres dividido a vida comigo.

Não te vás, deixando por aqui uma tempestade de sofrimento que irá voltar como noutros tempos. Ninguém pode voltar ao passado e ficar ali escondido. Se me descobriste agora não me empurres para o que já fui e não quero voltar a ser. Não me abandones no deserto da minha existência.


@angela caboz

Sem comentários:

Enviar um comentário