Amo-te tanto e fico aqui sozinha.
Amo cada pedaço de ti. Cada pedaço que deixaste aqui espalhado pelo chão da nossa casa. Aprendi a amar-te até na distância. O nosso amor duplicou, ou quem sabe triplicou. É como se cada segundo em que penso em ti fosse maior do que uma hora. É nessa dimensão, que dei ao tempo, que eu te amo.
É, assim como, fazer uma manta de retalho para me sentir aconchegada quando não estás. Cada retalho é feito das memórias de tudo o que já vivemos. Ou então, é como construir um puzzle, juntando todas as recordações do nosso amor. No final olho para todas aquelas peças que encaixam na perfeição e percebo que amar-te é muito mais do que uma mera ilusão. Amar-te é encaixar os meus sentimentos nos teus desejos. Abraçar a minha paixão nas memórias que o tempo não me sabe roubar.
Amo-te tanto e fico aqui sozinha. De coração partido neste caminho sem sentido. Um coração a quem só a memória o faz sentir-se completo. Amo-te tanto e a minha vida continua a ser este deserto, onde o amor não floresce e apenas a saudade cresce.
É como se lembrar-te me matasse a fome. Como se saber que tu existes, mesmo que aqui não estejas, me acabasse com esta miséria em que mergulhei. Existe a memória do nosso amor e ele obriga-me a viver. Existe a saudade que veste a minha alma e que não deixa o nosso amor morrer.
Eu já tive toda a riqueza do mundo e acordei sem um cêntimo, quando percebi que tinhas partido. Fiquei a sonhar com o passado, abraçada às lágrimas do futuro. Vi a riqueza fugir-me por entre os dedos das mãos. Vi a paixão a esconder-se do meio do nevoeiro onde, os meus olhos não te podiam ver e as minhas mãos não te encontravam. O sol de repente desapareceu e a escuridão foi a realidade que o futuro me ofereceu.
Mas, eu amo-te tanto, que guardei cada pedaço de nós. Cada migalha da paixão que partilhamos. Até guardei as coisas que não se podem guardar. Tenho o teu perfume escondido sobre a minha pele. As tuas mãos ficaram perdidas naqueles recantos que só tu conheces. Os teus lábios ficaram colados aos meus com a cola do nosso desejo. Guardei o nosso amor na gaveta do meu coração. Fiz com os momentos que vivemos juntos o nosso álbum de recordações.
Amo-te tanto, que não sei esquecer-te. Não aprendi ainda a viver sem ti. Tu não ensinaste a ficar longe de ti.
Por isso, ficou aqui comigo a ilusão de que nos amamos na distância. Com se o amor soube sobreviver sem o ar que tu respirar. Como se a nossa paixão vivesse no meu coração. E por mais que o tempo me lembre que a saudade é agora a minha única realidade, eu contínuo a amar-te.
@angela caboz



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