A tua falta vai rasgando tudo o que encontra pelo caminho.
Não te ter aqui na minha vida, não te poder abraçar, vai abrindo um buraco no meu coração. É como se a morte quisesse bater na minha porta. Foi por essa razão que me tranquei por dentro, para não a deixar entrar.
A tua falta é como não ter força para respirar. É como sentir que o tempo me sufoca e que a lembrança me atordoa, só de pensar que tu não estás aqui ao meu lado.
Tento enganar o pensamento.
Tento retardar o meu olhar, desviando os olhos do relógio para não contar as horas que faltam para tu voltares. Fecho os olhos na ilusão de me enganar a mim mesma dizendo que tudo é mentira e dentro de instantes tu vais estar aqui a sorrir para mim.
Engano-me para acreditar que estás apenas ausente e não é a dor da tua partida que me dói.
Quero apagar a distância e para isso quero provar à minha mente que tu não estás aqui, mas ainda me amas. Digo a mim mesma que a distância não existe para quem ama e que quando acordar deste pesadelo tu vais estar por perto para me abraçares.
Procuro em todos os recantos da casa o teu cheiro, mas tu não estás por ali. O teu cheiro que vive entranhado nos meus pensamentos já não mora naquela casa. Sinto as nossas memórias a saltitarem por ali, mas não te consigo tocar, tu já fugiste de vez de mim.
Eu sei que tu existes, só que estás distante e não deixaste abraços suficiente para confortarem a minha dor, nem estás à proximidade de um beijo que possa calar este sofrimento que só quer gritar pelo teu nome.
Tenho que aceitar que a tua ausência é definitiva e que está a abrir fendas neste meu frágil coração.
Vivo entre o dia e a noite onde encontro a realidade do que em tempos foi um sonho, vejo-me sozinha na escuridão daquele quarto que até há pouco tempo era iluminado com o brilho de uma paixão que parecia ser eterna.
O amor conhece o caminho até ti, sabe onde tu estás, mas a razão já lhe fez ver que é inútil fazer essa caminhada. Talvez por isso me sinta como uma ave fora do ninho. Sou como uma casa sem pilares, ou até talvez, como um rio sem água. Sinto-me desprotegida e apenas a saudade, de vez enquanto, por aqui aparece para me abraçar e conversar com as minhas memórias.
É a saudade que me ampara nas horas em que tudo o resto me tira o chão que piso.
A tua ausência é como que uma sombra que me tapa e como um grito de solidão que se solta de dentro desta alma aflita, que procura explicações para a tua partida.





