E tu voltaste, depois de tudo!
E tu voltaste, depois de tudo!
Surgiste aqui, regressado das profundezas do meu sofrimento. Vinhas com os olhos vermelhos de chorar. Trazias um discurso ensaiado. Vi que, durante horas, tinhas procurado as palavras certas, para me justificares o teu arrependimento. O teu rosto ainda estava alagado por esses riachos, que as lágrimas foram desenhando enquanto deslizavam na tua face. As lágrimas que faziam questão de não ocultar o que sentias.
Olhei-te e vi o rosto do menino atrevido, que eu tão bem conhecia. O gaiato que tantas vezes apanhei a mentir. O rapaz que não sabia esconder quando se portava mal. Eu conhecia-te tão bem. A tua alma, para mim, era completamente transparente. Estava escrito no teu olhar, tudo o que o teu coração sentia naquele instante. Ele estava oprimido. Estava arrependido.
Ofereci-te o meu melhor sorriso. O sorriso, que sem palavras te disse para teres calma. O mundo não acabava ali. Temos todo o tempo do mundo para esclarecer, o que não conseguimos esquecer. Senti, uma vontade enorme de te abraçar. De calar assim os nossos corações. De te dizer que não eram precisas palavras, nem justificações. Que o nosso silêncio dizia tudo o que sentíamos.
Quis, mas não o fiz. As palavras que tinhas ensaiado teriam de sair. Não te queria deixar sem voz agora. Afinal, até eu esperava por uma explicação. Esperava pelas tuas palavras, que te traziam de volta. As tuas palavras teriam que continuar a escrever a história de tudo o que nos unia.
Por isso, te sorri e não te abracei. O mundo tinha hoje outras cores e as flores estavam mais coloridas. A Primavera tinha regressado mais cedo. Ela queria assistir ao nosso reencontro.
O café estava na mesa a esfriar. No coração ardia a saudade. Saudade de um sentimento que continuava a fazer-me sonhar. Um sentimento que me roubava tempo para qualquer outro sofrimento. Era o sonho que me desenhava esperança nos dias, que tinham parecido sem rumo.
O sonho que parecia ter voltado a ter asas para voar. Essa esperança que me dava corda aos pés ajudando-me a caminhar sem medo. Realidades que aparecem quando a vida quer e não quando as procuramos.
O café esfriava e o corpo aquecia. O sonho despertava e a vida acontecia. Tantas coisas voltavam a fazer sem sentido. A vida continuava à nossa espera.
Tu voltaste e os meus ouvidos querem escutar a melodia desse teu sentimento. A minha alma espera pela tua urgência em me explicar tudo o que ela já sabe. O meu coração está pronto para te abraçar. Na verdade tu nunca chegaste a partiste. Não tive tempo de sentir o frio da tua ausência. O meu sorriso convida-te para uma longa conversa. É chegada a hora de mandares embora essas lágrimas que escreveram o discurso do teu regresso. Veste o teu sorriso e pinta-os com as cores do amor. Deixa tudo o resto acontecer. A vida e o tempo sabem o caminho certo para o nosso destino.
@angela caboz
Surgiste aqui, regressado das profundezas do meu sofrimento. Vinhas com os olhos vermelhos de chorar. Trazias um discurso ensaiado. Vi que, durante horas, tinhas procurado as palavras certas, para me justificares o teu arrependimento. O teu rosto ainda estava alagado por esses riachos, que as lágrimas foram desenhando enquanto deslizavam na tua face. As lágrimas que faziam questão de não ocultar o que sentias.
Olhei-te e vi o rosto do menino atrevido, que eu tão bem conhecia. O gaiato que tantas vezes apanhei a mentir. O rapaz que não sabia esconder quando se portava mal. Eu conhecia-te tão bem. A tua alma, para mim, era completamente transparente. Estava escrito no teu olhar, tudo o que o teu coração sentia naquele instante. Ele estava oprimido. Estava arrependido.
Ofereci-te o meu melhor sorriso. O sorriso, que sem palavras te disse para teres calma. O mundo não acabava ali. Temos todo o tempo do mundo para esclarecer, o que não conseguimos esquecer. Senti, uma vontade enorme de te abraçar. De calar assim os nossos corações. De te dizer que não eram precisas palavras, nem justificações. Que o nosso silêncio dizia tudo o que sentíamos.
Quis, mas não o fiz. As palavras que tinhas ensaiado teriam de sair. Não te queria deixar sem voz agora. Afinal, até eu esperava por uma explicação. Esperava pelas tuas palavras, que te traziam de volta. As tuas palavras teriam que continuar a escrever a história de tudo o que nos unia.
Por isso, te sorri e não te abracei. O mundo tinha hoje outras cores e as flores estavam mais coloridas. A Primavera tinha regressado mais cedo. Ela queria assistir ao nosso reencontro.
O café estava na mesa a esfriar. No coração ardia a saudade. Saudade de um sentimento que continuava a fazer-me sonhar. Um sentimento que me roubava tempo para qualquer outro sofrimento. Era o sonho que me desenhava esperança nos dias, que tinham parecido sem rumo.
O sonho que parecia ter voltado a ter asas para voar. Essa esperança que me dava corda aos pés ajudando-me a caminhar sem medo. Realidades que aparecem quando a vida quer e não quando as procuramos.
O café esfriava e o corpo aquecia. O sonho despertava e a vida acontecia. Tantas coisas voltavam a fazer sem sentido. A vida continuava à nossa espera.
Tu voltaste e os meus ouvidos querem escutar a melodia desse teu sentimento. A minha alma espera pela tua urgência em me explicar tudo o que ela já sabe. O meu coração está pronto para te abraçar. Na verdade tu nunca chegaste a partiste. Não tive tempo de sentir o frio da tua ausência. O meu sorriso convida-te para uma longa conversa. É chegada a hora de mandares embora essas lágrimas que escreveram o discurso do teu regresso. Veste o teu sorriso e pinta-os com as cores do amor. Deixa tudo o resto acontecer. A vida e o tempo sabem o caminho certo para o nosso destino.
@angela caboz



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